O seu bebé já nasceu? Algumas dicas para a ajudar nos primeiros tempos de vida do seu mais que tudo


A sua ligação ao seu filho começou provavelmente muito antes do seu nascimento.


Mas, agora que o tem nos braços, essa relação vai fortificar-se e
transformar-se talvez no envolvimento mais importante da sua vida
e da dele:

- Esse vínculo vai moldar o desenvolvimento intelectual e emocional
do seu bebé;
- Será a base da sua segurança, autoconfiança, auto-estima e capacidade
para estabelecer relações ao longo da vida.
O seu filho está, na maioria dos casos, pronto a ligar-se a si desde os
primeiros momentos da vida.

Mas os seus sentimentos para com ele são talvez ainda um pouco confusos:

- Pode sentir uma forte ligação desde os primeiros minutos ou horas
após o parto;
- Pode notar que essa relação se vai desenvolvendo ao longo dos
primeiros dias ou semanas, à medida que cuida do bebé e que o
conhece mais profundamente;
- Pode só ter consciência desse amor de repente,
por exemplo, ao ser surpreendida(o) pelo primeiro
sorriso do seu filho;
- Se o seu bebé foi prematuro ou esteve
internado nos primeiros dias ou semanas
de vida, é natural que o seu envolvimento
com ele evolua de forma mais lenta e difícil.

Este é o meu primeiro bebé. O que hei-de fazer?

Sendo mãe pela primeira vez, pode demorar mais tempo a descobrir as
múltiplas capacidades do seu bebé e também as suas próprias possibilidades
de interagir com ele; nesse caso, aqui vão algumas sugestões:
- Repare como o toque suave e o contacto físico acalmam o seu bebé e
reforçam a vossa ligação;
- Veja como o contacto próximo, olhos nos olhos, promove entre ambos
uma comunicação profunda, muito para além das palavras;
- Observe como o bebé, mesmo recém-nascido, consegue seguir um
objecto com o olhar, como tenta imitar os seus gestos e expressões
faciais ou como prefere as vozes humanas, em particular a voz da mãe,
a todos os outros sons;
- Repare como ele reconhece o seu cheiro, a sua voz e o seu toque;
- Note como ele vai vocalizando e emitindo sons em resposta, quando conversa com ele



Da sua parte há também atitudes, muitas vezes instintivas, que reforçam esses laços, como por exemplo:

- Pegar no bebé ao colo e embalá-lo ou encostá-lo bem a si, dando-lhe
palmadinhas suaves; irá notar como rapidamente ele distingue o seu
colo de todos os outros;
- Aproveitar oportunidades de contacto “pele a pele” com o seu filho
(quando o amamenta, o embala, etc.); ele adora, acalma-se e você tam-
bém. Se o seu bebé nasceu antes de tempo ou com problemas médicos,
este contacto físico e o toque suave serão ainda mais importantes para ele.

À medida que vai satisfazendo as necessidades do seu filho (alimentá-lo, mudar-lhe a fralda, consolá-lo, cuidar dele de uma forma geral), a vossa relação de amor e conhecimento mútuos vai também crescendo e ganhando consolidação.



O amor de pai e de mãe são diferentes?

Tanto o pai como a mãe, cada um à sua maneira, estabelecem uma
relação especial com o bebé, e é importante que se apoiem e ajudem
um ao outro.


Muitos dos contactos e cuidados diários a ter com o bebé podem ser partilhados entre si e o(a) seu(sua) companheiro(a) desde o nascimento, tais como:


- Dar apoio na preparação e no trabalho de parto;
- Colaborar na sua alimentação;
- Dar-lhe banho;
- Trazê-lo ao colo, bem junto ao corpo,
enquanto se realizam outras tarefas;
- Deixá-lo tocar-lhe e sentir, por exemplo,
as diferenças entre a cara do pai e da mãe;
- Imitar os seus movimentos, as suas
expressões, sons e vocalizações;
- Conversar, ler ou cantar para ele.

Será que consigo dar conta de tudo sozinha?

Para que possa ligar-se mais facilmente ao seu bebé, é muito importante
ter o apoio, o reforço e a ajuda das pessoas que lhe são próximas.

Este suporte é ainda mais importante se ele nasceu prematuramente
ou com problemas, não sendo, portanto, capaz de lhe responder tão
depressa como os outros bebés.

De início, os cuidados ao seu filho preenchem totalmente o seu
tempo, a sua energia e a sua atenção.


Tente arranjar ajuda para as outras tarefas domésticas, para que possa aproveitar bem o envolvimento com o bebé sem ficar esgotada.

Uma mãe exausta torna-se facilmente irritável e pouco disponível
para responder às necessidades do bebé (e às suas).

O pai do bebé poderá ser uma ajuda preciosa, não só nas tarefas domésticas
mas também no apoio emocional de que tanto necessita.
Caso seja necessário, não hesite em pedir ajuda a outros familiares e
amigos, quer para as tarefas domésticas, quer
para actividades fora de casa (ir buscar os
seus outros filhos à escola, deixar
refeições já prontas em casa, etc.).


Por que está a ser tão difícil lidar com o meu bebé?


Em primeiro lugar, cuidar de um bebé pequeno é um trabalho duro e
pesado, embora também muito compensador.
No entanto, o relacionamento e envolvimento com o seu bebé pode
ser-lhe mais difícil, se:

- As suas próprias experiências e relacionamentos na infância foram
difíceis ou até traumáticos;

- Imaginava intensamente um bebé muito diferente antes do parto,
e não está a ser capaz de fazer coincidir essa imagem com a realidade

- O parto foi difícil e prolongado, e não conseguiu ainda recuperar
totalmente;

- O seu bebé foi prematuro ou teve problemas médicos que levaram
ao seu internamento numa unidade de cuidados intensivos para
recém-nascidos;

- Está triste, esgotada, irritada e desesperada, o seu apetite e sono
estão alterados, sente um mal-estar geral e, por vezes, até vontade
de fazer mal a si própria.
Nesse caso, poderá ter uma depressão pós-parto
e deverá consultar rapidamente o seu médico assistente.
Se, na altura em que for pela primeira vez à consulta no Centro de
Saúde com o seu bebé, ainda não se sentir
envolvida e à vontade com ele, não deixe
de conversar com o seu médico ou
enfermeiro a esse respeito.


Eles poderão, seguramente, ajudá-la a compreender as suas dificuldades e a ultrapassá-las.
Se o meu bebé falasse...

0 – 2 meses
- Pega-me sempre que queiras. Não é possível estragares-me com
mimos.
- Quando choro, é porque preciso de alguma coisa. Não choro para
te irritar.
- Se já fizeste tudo o que podias para que eu me calasse e eu con-
tinuo a chorar, pega-me simplesmente e conforta-me.
- Sorri para mim, ri-te, canta, embala-me, dança comigo ou fala-me
suavemente. É assim que o nosso amor vai crescendo.


3 – 6 meses
- Quando olho para ti, quero que me respondas: sorri-me, fala comi-
go e pega-me ao colo.
- Quando me viro para outro lado e fujo com o olhar, é porque pre-
ciso de descansar.
- Quando me magoo, estou doente ou com medo, preciso que me
pegues ao colo logo, logo.

7 – 12 meses
- Prefiro estar com as pessoas que conheço bem e que cuidam de
mim. Fico aflito e assustado com as pessoas que não conheço.
- Fico com medo quando te vais embora. Abraça-me e dá-me muitos
mimos quando saíres e quando chegares. É assim que aprendo a
sentir-me seguro.
- Brinca e fala comigo, de frente para mim.
- Observa bem como eu brinco e tenta seguir-me.
Se fores sempre tu a dirigir o jogo,
eu farto-me e desisto.
- Tenta perceber o que eu
quero dizer quando
choro, sorrio, balbucio
ou me afasto de ti.


12 – 24 meses (1 – 2 anos)
- Estou a aprender como funciona o mundo à minha volta. Gosto de
explorar, mas não tenho a noção do perigo. Quando me assusto ou
magoo, preciso que me dês mimos. Logo que me sinta bem, estarei
pronto a explorar de novo.
- Já consigo fazer mais coisas sozinho, mas ainda preciso muito de
amor e mimos.


24 – 48 meses (2 – 4 anos)

- Quando quero fazer coisas sozinho, deixa-me experimentar (desde
que não seja perigoso).
- Ainda preciso que me dês segurança e me confortes quando me
magoo, estou irritado, com medo ou doente.


Informe-se no seu Centro de Saúde sobre se existem grupos de entreajuda para pais. A partilha de dúvidas, sentimentos e dificuldades poderá ser também uma ajuda
preciosa para si nesta fase.

fonte: Direcção-Geral da Saúde

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