Para alguns já terminaram as férias por isso é necessário que os pais voltem ao trabalho e os filhos aos infantários






Tal pode ser muito simples ou envolver emoções inesperadas. A criança esteve com os pais durante as férias e agora custa-lhe mais desapegar-se dos pais. Voltar à rotina escolar não deixa de ser uma mudança: a passagem de uma realidade onde, por regra, não existem obrigações pré-estabelecidas, para outra que traz novas solicitações e tarefas a cumprir. Por isso, mesmo que este acontecimento seja visto como fonte de prazer, há que contar com algumas hesitações e dificuldades de adaptação de vária ordem. Se assim for, também para os pais esta reentrada pode ser mais penosa. Pensar positivamente e acreditar que a criança rapidamente se readaptará é importante.

Por outro lado, sabemos que as educadoras estão habituadas a este tipo de situações e durante os primeiros dias de aulas têm estratégias especiais que ajudam a ultrapassar a crise. Rever os amigos do ano anterior e conhecer as novas crianças é outro factor que ajuda a suportar melhor a separação. Por tudo isto, o regresso ao infantário não tem de ser forçosamente angustiante.

Outras mudanças que entram em jogo nesta fase são biológicas. As crianças passam de uma situação em que têm os sonos mais adaptados à sua realidade biológica, para outra em que, pelo facto de terem de cumprir horários, deixam de dormir as horas que eventualmente precisam. Por outro lado, e com a entrada na escola, também vão ter de aprender a gerir o seu tempo de outra forma. A criança necessita, sobretudo, que lhe dêem tempo para se adaptar.

O mais importante é tranquilizar a criança, fazer com que sinta com naturalidade as emoções do momento. Mas também é muito importante que os pais se mantenham firmes e persistentes, encarando as mudanças e desafios com confiança. É importante que os pais expliquem às crianças que também eles sentiram algum receio quando tiveram de voltar para a escola. Que mesmo hoje, às vezes, sentem medo e alguma ansiedade. Mas que o importante é não se deixarem vencer por esse tipo de sentimentos. Ao ter consciência de que as dúvidas e, sobretudo, o medo, também fazem parte do mundo dos adultos, a criança tranquiliza-se mais depressa e, simultaneamente, à imagem deles, torna-se mais corajosa.

Para o regresso à escola é necessário preparar emocionalmente a criança, explicando-lhe que os pais têm de regressar ao trabalho e as crianças têm de regressar às escolas e infantários. É também uma ajuda envolver a criança nos preparativos, pedindo a sua colaboração para a escolha dos materiais e/ou roupas que é preciso comprar. Quando tudo está preparado, o melhor é ter um dia calmo, deitar cedo, contar a sua história preferida e mostrarem-se serenos e seguros. Os pais não devem valorizar sintomas do início da adaptação, tais como chorar quando a deixam no infantário, dores de barriga e de cabeça, “chichis” nocturnos esporádicos. Estes sintomas iniciais são normais e só se tornam preocupantes se persistirem e se a criança continuar a rejeitar o jardim infantil. Há que estar sempre presente e atento. O carinho nunca é em excesso, mas não deve haver superprotecção.

No entanto, sabemos que todas as crianças são diferentes e que para algumas esta situação pode ser mais complicada. O pior é quando o medo e a ansiedade se instalam de forma avassaladora, prolongando-se por bastante tempo. Nestes casos, é provável que a criança esteja com dificuldades de adaptação à instituição e às suas normas de funcionamento e/ou de interacção com educadores e colegas. Se assim for, a situação deve ser analisada e reflectida por pais e educadores em conjunto, com a participação da criança, para que possam ser encontradas soluções. Todos os medos que permanecem durante bastante tempo no imaginário da criança e/ou que condicionam o quotidiano em diferentes contextos, devem ser analisados. Se persistirem podem consolidar-se, tornando-se fóbicos, porque a criança não os consegue ultrapassar de forma natural. Relativamente à escola, pode constituir-se uma Fobia Escolar.

Nestes casos, é necessário procurar um psicólogo para que seja feita uma avaliação e seja identificado concretamente o que está na origem da Fobia Escolar. Muitas vezes acaba por se detectar que a Fobia não está directamente relacionada com a escola mas sim com a dinâmica familiar. É também possível que a Fobia Escolar esconda uma Depressão Infantil, pelo que o diagnóstico diferencial feito por um especialista é essencial.


Como identificar e tratar a Fobia Escolar
Quando esta situação acontece sistematicamente, é necessário consultar o pediatra pois, a criança pode estar a sofrer de fobia escolar. Não pense que o seu filho é muito novo para ter esta fobia. São muitas as crianças que atravessam este problema ainda no infantário. O que é realmente verdade é que se esta perturbação não for tratada de forma precoce, poderá inclusive levar ao aparecimento de transtornos psicológicos mais graves.

As causas
Na maior parte dos casos, as causas deste transtorno estão relacionadas com:
- A ansiedade dos pais no momento da separação
- O medo de ir para a escola por causa do professor ou dos colegas
- A ansiedade sentida pela criança ao separar-se dos pais

Isto acontece porque as crianças têm dificuldades em adquirir novas rotinas como a mudança de casa, o nascimento de outro irmão, uma doença...

Os sintomas
Quando o pediatra não é advertido para este problema e a criança não é tratada podem apresentar-se alguns sintomas como, por exemplo:

- Diarreia
- Dores corporais
- Suores
- Ataques de medo
- Aumento dos batimentos cardíacos
- Tristeza
- Tremores
- Tonturas O diagnóstico e tratamento
O diagnóstico costuma ser clínico e faz-se através da observação dos sintomas que a criança apresenta. Para tratar a sintomatologia da fobia escolar, pode ser necessário recorrer a psicoterapia ou apoio psicológico.

Quanto mais cedo a criança iniciar as terapias específicas para o seu caso, mais rapidamente poderá recuperar e reiniciar a sua vida social normal.

A falta de tratamento poderá levar a situações mais complicadas que vão desde a depressão reactiva ao insucesso escolar, à ansiedade crónica ou ao isolamento social.


fonte: familia.sapo.pt

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